Asean News 41 – Vacinas do Vietnã

#ASEAN              

1 – Com novos embates entre China x EUA, líderes da ASEAN começam a se movimentar em direção ao centro para evitar fazerem parte do conflito. Heng, ministro das finanças de Cingapura, observou que a competição estratégica entre as duas maiores economias do mundo não é um fenômeno novo, embora tenha sido acentuada pela pandemia de Covid-19. Não houve uma coordenação global adequada no início da crise, disse ele, o que viu um aumento no atrito e na desconfiança entre os dois governos.

2 – Os cinco lugares mais visitados do sudeste asiático para os adeptos do “dark tourism

#BRUNEI              

1 – Ministra de Relações Exteriores de Cingapura foi até o Brunei para conversar sobre a situação de Mianmar. Brunei é o presidente da ASEAN deste ano, o que o torna um ator crucial em qualquer esforço para encontrar uma resposta regional para a crise.

#CAMBOJA            

1 – Governo rejeitou planos para a instalação de um complexo turístico próximo ao seu maior patrimônio histórico e patrimônio da humanidade da UNESCO: os templos de Angkor Wat. Em uma decisão elogiável o governo cambojano negou alegando impactos ambientais e possíveis impactos aos templos.
Uma operadora de cassino chamada NagaCorp havia anunciado planos para o “Lago das Maravilhas de Angkor”, um desenvolvimento de 75 hectares de US $ 350 milhões.

Jogos de azar são proibidos para os cambojanos e liberados para estrangeiros, a decisão veio em um momento crucial para a região, a UNESCO pressiona o vizinho Laos para reavaliar a construção de uma barragem que poderia inundar outro patrimônio mundial: a antiga capital de Luang Prabang, um dos berços do budismo no sudeste asiático:

#CINGAPURA         

1 – Uma nova análise das emissões de carbono mostra que Cingapura ficou atrás de outros países ricos na adoção de medidas para mitigar a mudança climática. A taxa de crescimento das emissões de dióxido de carbono de Cingapura foi a terceira maior do mundo, superada apenas por Burundi e Níger. Apesar de outras medidas em direção à sustentabilidade, o país ainda depende quase inteiramente de combustíveis fósseis, usando gás natural para atender a mais de 95% de suas necessidades de energia em 2019.

A situação de Cingapura é única, como uma nação de alta renda que também é afetada por legados do colonialismo e é uma região isolada em termos de desenvolvimento. Também é extremamente vulnerável aos impactos das mudanças climáticas, desde a elevação do nível do mar até condições meteorológicas extremas, o que deve tornar seus líderes inclinados a liderar na mitigação do clima.

2 – Comida Halal para os muçulmanos é a nova febre. Os muçulmanos representam cerca de 14% dos 5,8 milhões de habitantes de Cingapura. A maioria dos muçulmanos no país é etnicamente malaia, enquanto o restante vem de outros grupos étnicos, incluindo indianos e chineses.
O conselho religioso islâmico de Cingapura disse que emitiu 4.630 certificados Halal para instalações em 2018, quase o dobro do número de uma década atrás. Halal significado autorizado em árabe, o nome indica que o fabricante segue uma série de restrições descritas no alcorão.

#FILIPINAS          

1 – Todos os anos, aproximadamente 12 milhões de meninas com idades entre 15 e 19 anos dão à luz em regiões em desenvolvimento do mundo. Em 2016, um relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) afirmou que as Filipinas têm o maior número de gravidez de adolescentes em toda a Ásia.

Parceiros múltiplos e baixo uso de preservativos foram alguns dos fatores citados para o aumento das taxas de natalidade. Em média 1 em cada 10 mulheres jovens filipinas de 15 a 19 anos já é mãe.
Além disso, a OMS também afirmou que a gravidez na adolescência levou a cerca de 3,9 milhões de abortos inseguros  entre meninas de 15 a 19 anos por ano, contribuindo para a mortalidade materna, comorbidade e problemas de saúde duradouros.

2 – Manila assinou este mês um acordo para comprar o míssil de cruzeiro mais rápido do mundo de Nova Delhi, enquanto também poderia garantir até 38 milhões de doses de vacinas de Covid-19 feitas na Índia, o país pretende se armar para possíveis conflitos marítimos. Lembrando que compras militares sempre envolvem mais estreitamento de laços pois também indica troca de tecnologia, treinamento e derivados.

Segundo um funcionário do governo filipino, ambos os países possuem: “Política democrática, experiência colonial ocidental, inglês [idioma] e disputas de soberania com a China”. O timing é perfeito já que a Índia está focada no leste e sudeste asiático.

3 – Tensões com a China: Protestos diplomáticos filipino contra a China por 220 embarcações. Após serem pegas pelo governo filipino, as embarcações alegaram que estavam se refugiando de péssimas condições no mar, os Estados Unidos apoiaram as Filipinas e acusaram a China de usar “milícias marítimas para intimidar, provocar e ameaçar” outros países, prejudicando a paz e a segurança no Mar do Sul da China.

O secretário de Relações Exteriores, Teodoro Locsin, diz que as Filipinas podem invocar seu tratado de defesa com os EUA para lidar com a presença de navios chineses em suas águas, duelos de declarações das embaixadas alimentaram ansiedade e especulação nas Filipinas.

Manila afirma que os barcos pertencem a uma milícia apoiada por Pequim – conhecida como Milícia Marítima das Forças Armadas do Povo, e às vezes chamada de “homenzinhos azuis” de Pequim – que a China usa para tomar território marítimo de forma não oficial e negável. Em 2016, os navios da guarda costeira chinesa impediram os barcos filipinos de pescar ao redor do disputado Scarborough Shoal, que ambos os países reivindicam. Há quem diga que esse movimento chinês é proposital para testar até onde Washington vai

#INDONESIA          

1 – Novo público-alvo de turistas: nômades digitais!
A Indonésia pretende atrair esse tipo de pessoa para injetar dinheiro na economia, o governo pretende criar vistos especiais para essa categoria poder entrar em Bali por até 5 anos sem precisar da burocracia tradicional. Nômades digitais são pessoas que trabalham remotamente, e com isso, podem se locomover de regiões para regiões periodicamente.

O turismo contribui com cerca de 5,7% do PIB da Indonésia e até 53% da economia de Bali, onde o setor empregava um milhão de trabalhadores antes da pandemia. No ano passado, apenas cerca de um milhão de turistas internacionais visitaram a ilha, uma queda de 83,26% ano a ano, de acordo com estatísticas do governo.

#LAOS               

1 – A Assembleia Nacional do Laos elegeu nessa segunda-feira Thongloun Sisoulith, o secretário-geral do partido no poder, como o novo presidente do país, ele é o primeiro civil sem formação militar que chegA ao poder. Foi ministro das Relações Exteriores em 2006 antes de se tornar primeiro-ministro em 2016. Além de sua língua nativa, ele fala vietnamita, russo e inglês. O grande desafio é o econômico, o país é de longe o maior dependente da China dos 10 do sudeste asiático.

#MALASIA            

1 – Brexit da Ásia: Em 12 de janeiro, o rei da Malásia declarou estado de emergência em todo o país para ajudar a impedir a disseminação do coronavírus e evitar que o sistema de saúde entre em colapso, porém, essa medida também suspende o parlamento e adia eleições em um momento em que a coalizão governamental estava por um fio, o que pode aumentar a instabilidade política. É a primeira vez em 50 anos que essa medida é tomada.

#MIANMAR            

1 – Uma excelente matéria sobre o complicado cenário étnico de Mianmar, os militares cortejam esses grupos para tentar aumentar sua legitimidade interna, a maioria dos grupos étnicos estavam muito descontentes com o governo democrático, porém, os militares também eram do governo e os movimentos de enfraquecer minorias armadas também eram oriundos do exército. Alguns lideres que estão aceitando negociar são criticados pelos seus pares.

#TAILANDIA          

1 – Avança no país o projeto de ponte terrestre para impulsionar o comércio e abandonar de vez a ideia do canal do Kra. O governo afirma que a nova zona econômica pode aumentar o crescimento do PIB da Tailândia em até 5% ao ano, gerando receita anual de mais de US $ 14,6 bilhões.

2 – Com um PIB altamente dependente do turismo, cresce o desejo da legalização total da maconha no país. Usar a folha para sopas contra dores é algo antigo na cultura do país. Estima-se que esse tipo de comércio geraria cerca de US$ 50 bilhões em apenas 5 anos. A lei tailandesa permite a extração de CBD, o composto de canabidiol da planta de cannabis para fins medicinais, no entanto, o tetrahidrocanabinol (THC), a parte psicoativa da planta que causa o efeito alucinógeno, continua ilegal.

A Tailândia legalizou o uso de cannabis, também conhecida como maconha, para fins medicinais em 2019, após anos de discussões acaloradas. No entanto, foi só em janeiro deste ano que uma nova mudança na lei abriu o caminho para a comercialização da indústria, com os titulares das licenças agora capazes de cultivar, vender e exportar produtos feitos a partir de caules, folhas e raízes de cânhamo – uma variedade da planta de cannabis cultivada especificamente para uso industrial.

#VIETNA             

1 – O Vietnã está investindo em vacinas próprias, o que pode colocar o país em outro nível estratégico global para os países emergentes do mundo, posição essa que Brasil e Índia já ocuparam, mas que no momento há um vácuo. Duas vacinas vietnamitas já se tornaram os primeiros medicamentos desenvolvidos no sudeste da Ásia para iniciar os testes clínicos, ambos estão na fase 2.

Visando não depender de um ou outro laboratório, ao apoiar o desenvolvimento e a produção de vacinas no Sul Global, o Vietnã se alinha com a ideia de igualdade global de vacinas. Enquanto as empresas farmacêuticas dos EUA e do Reino Unido estão firmemente apegadas às suas patentes e restringem a produção no exterior, Hanói pretende oferecer aos países uma alternativa de vacina “barata, confiável e politicamente neutra”.
O governo também já se pronunciou sobre ajudar outros países a desenvolver suas próprias vacinas com a ajuda da tecnologia vietnamita, papel esse que o Brasil poderia estar fazendo tranquilamente.

Dias após dessa notícia veio o problema brasileiro do Butantã em ser 100% nacional ou não:

O Vietnã, tal qual o Brasil, anunciou como sua, uma vacina que na verdade é feita em parceria com um laboratório dos EUA. Fato é que isso é irrelevante quando o próprio laboratório te dá o direito de ” free royalties”, só há polêmica quando a politicagem está acima de bom senso.

E a crítica aqui é muito mais ao governo federal do que propriamente ao Doria, que sim, merece ser criticado por ter feito um marketing com meia verdade, mas que até aqui só teve atitudes corretas quanto às vacinas.

2 – No último fim de semana, a mídia estatal vietnamita noticiou que o novo prédio do parlamento do Laos foi construído pelo próprio governo vietnamita, estima-se que custou cerca de US$ 111 milhões. Um claro movimento para atrair o Laos para sua orbita de influência para tentar rivalizar com a presença chinesa no país.

DICA DA SEMANA:

A dica da semana é seguir o jornalista Pepe Escobar, ele costuma aparecer semanalmente em dois canais no Youtube: Brasil 247 e Duplo Expresso além de ter um canal no Telegram, interessados me perguntem que eu passo o link. Ele é um grande expert em Ásia, vale a pena segui-lo.