Encontro EUA x ASEAN
Aconteceu nos dias 12 e 13 de maio a cúpula EUA x ASEAN, os Estados Unidos reiteraram que reconhecem e respeitam o papel central da ASEAN na região, prometeram investir em energia limpa e na segurança marítima e defender firmemente o princípio da “Centralidade da ASEAN”. Mais importante, a atual administração também se comprometeu a refletir o papel central da ASEAN em sua visão de um Indo-Pacífico livre e aberto.Joe Biden falou em “Asean centrality”, que é um conceito não tão novo, mas já muito questionado. O consenso geral é que essa “centralidade” se refere ao papel da ASEAN como líder ou impulsionador regional, organizador, facilitador ou hub de progresso na cooperação regional da Ásia. Isso também significa que a ASEAN, em particular o subcontinente fornece um modelo para outros agrupamentos sub-regionais na Ásia-Pacífico e além.Os problemas com esse modelo são claros, a própria ideia em torno da Asean já denota um forte clamor por “procuramos nosso caminho ao nosso estilo”, o não desejo de exportar seu modelo mesmo que indiretamente é algo muito comum em comunidades e Estados asiáticos. Outro ponto é, caso queiram, iriam conseguir? Internamente o bloco está rachado como nunca, um belo exemplo disso é a não ida do representante de Mianmar e do presidente recém eleito nas Filipinas “Bongbong” Marcos.A abordagem do governo Biden ao Sudeste Asiático até agora reflete três significados. Primeiro, apoiar publicamente o Panorama da ASEAN no Indo-Pacífico, o governo Biden respeita e reconhece a capacidade da ASEAN de definir a agenda para a cooperação regional. Isso não significa que a ASEAN tenha a capacidade de conduzir a agenda regional dos Estados Unidos, mas a ASEAN tem influência sobre como os EUA implementam sua própria estratégia regional. O segundo significado é ASEAN como um nó chave. A Cúpula Especial EUA-ASEAN que acaba de ser concluída é histórica – não apenas porque uma cúpula desse tipo não é realizada desde 2016, mas também porque marcou a primeira vez que líderes dos estados membros da ASEAN foram convidados para a capital dos EUA como um grupo. Além disso, durante o período da Cúpula Especial, a decisão de Biden de não realizar reuniões bilaterais com nenhum desses líderes do Sudeste Asiático reforçou ainda mais a ideia de que sua equipe está tentando tratar a ASEAN como um bloco coeso.A terceira dimensão da prática de “Centralidade da ASEAN” de Biden é tratar a ASEAN como uma importante plataforma de comunicação. No ano passado, Biden e seus colegas participaram de vários diálogos e fóruns propostos e organizados pela ASEAN. O próprio Biden participou da Cúpula virtual do Leste Asiático (EAS), o secretário de Defesa Lloyd Austin participou da Reunião de Ministros de Defesa da ASEAN Plus (ADMM Plus) e o secretário de Estado Antony Blinken participou da Reunião de Ministros das Relações Exteriores do Fórum Regional da ASEAN. Todos esses exemplos de participação, liderados pelo próprio presidente e altos funcionários dos EUA, indicam que o atual governo dos EUA reconhece a ASEAN como um articulador e facilitador dos assuntos regionais, o que proporciona importantes pontos de encontro para os países da região. Como Biden disse na Cúpula EUA-ASEAN no ano passado, um pilar para manter a resiliência, a prosperidade e a segurança de nossa região compartilhada .” Os principais problemas nas relações EUA x AseanEconômicosAinda há uma predominância e importância chinesa na ASEAN, o montante de investimento que os Estados Unidos prometeram colocar em seu relacionamento com a ASEAN: sejam US$ 102 milhões anunciados no ano passado ou US$ 150 milhões anunciados há poucos dias, o valor é muito pequeno, especialmente em comparação com a ajuda de US$ 1,5 bilhão da China. Ou, aos próprios EUA enviando US$ 40 bilhões em ajuda à Ucrânia. A Casa Branca disse que comprometeria US $ 60 milhões em novas iniciativas marítimas que incluiriam a implantação de uma Guarda Costeira e pessoal para combater o crime, incluindo a pesca ilegal, US$ 40 milhões para investir em energia limpa na região vulnerável às mudanças climáticas e que está trabalhando com o setor privado para arrecadar até US$ 2 bilhões.Por outro lado, os Estados Unidos não anunciaram detalhes de seu tão esperado “Quadro Econômico Indo-Pacífico”, que seria uma plano detalhado e com altos valores para a região, o que reforça a mensagem de que a ASEAN ainda não é tratada como um ponto de apoio para a cooperação econômica no Indo-Pacífico.Políticos– No geral, o governo Biden ainda trata de diversos temas muito mais bilateralmente do que como um grupo, como foi nessa reunião presencial.Diplomáticos– O governo Biden ainda não nomeou um embaixador na ASEAN. Isso pode dar a impressão de que os Estados Unidos não estão levando suficientemente a sério as necessidades coletivas dos estados membrosMilitares– O temor de uma corrida armamentista na região com os órgãos multilaterais encabeçados pelos EUA, como o Quad e o Aukus, alguns países da Asean já se pronunciaram oficialmente sobre essa preocupação ,como o caso da Indonésia, que pelo seu tamanho territorial e econômico, não deixa de ser um líder informal do bloco.Em alguns dias haverá uma reunião similar com os membro do Quad, a ver como Biden se sairá em relação aos pedidos e preocupações dos membros da Asean e com os anseios do Quad, em outras palavras, se os Estados Unidos tentaram integrar a ASEAN em uma estrutura de cooperação regional baseada no Quad, em vez de encaixar o Quad na arquitetura regional centrada na ASEAN. Direitos Humanos– A Human Rights Watch disse que os EUA precisam aumentar a democracia em mais países do que Mianmar. “Se os EUA não levantarem publicamente as preocupações com os direitos humanos durante as reuniões, a mensagem será que os abusos dos direitos humanos agora são tolerados em nome da formação de alianças para combater a China”, disse John Sifton, diretor de advocacia do grupo na Ásia. – Nancy Pelosi, Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, chamou a cúpula de “outra manifestação do compromisso dos Estados Unidos de ser um parceiro forte e confiável no Sudeste Asiático”. Em contraste com a abordagem de não interferência da China, Pelosi disse que acredita na “franqueza” e pediu aos líderes do Sudeste Asiático que respeitem os direitos humanos, expressando preocupação particular com as pessoas LGBTQ. Referenciashttps://theaseanpost.com/geopolitics/2022/may/13/biden-welcomes-sea-leaders-pledgeshttps://thediplomat.com/2022/05/is-the-biden-administration-serious-about-asean-centrality/
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