O sudeste asiático no Conselho da Paz de Trump
O Conselho da Paz é uma estrutura internacional privada que tem como objetivo declarado “promover estabilidade, restaurar uma governação fiável e legal e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”.
Fonte: Wikipédia
Durante a reunião, o Sudeste Asiático FOI representado por três líderes: o presidente indonésio Prabowo Subianto, o chefe do Partido Comunista do Vietnã, To Lam, e o primeiro-ministro cambojano Hun Manet. Como argumentou Ken Moriyasu, do Nikkei Asia, esta semana, a decisão desses países de aderir ao Conselho de Paz, e a decisão de outras nações do Sudeste Asiático de permanecerem à margem, reflete “como cada país interpreta a nova plataforma de Trump – e, de forma mais ampla, se eles concordam com a visão dele de que a ordem internacional baseada em regras do pós-guerra está desaparecendo”. Indonésia, Vietnã e Camboja têm seus próprios motivos para participar do Conselho de Paz. Tanto a Indonésia quanto o Vietnã estão em meio a negociações comerciais e tarifárias com a Casa Branca e buscam estabilizar suas relações econômicas com os Estados Unidos em busca de ambiciosas taxas de crescimento. Enquanto o Camboja parece estar em busca de legitimidade internacional.
Indonésia
O governo Subianto está vendendo a ideia de que funcionará como um defensor de objetivos decoloniais do mundo islâmico e da solução de dois Estados, a decisão de se envolver com o Conselho de Paz também se cruza com seu objetivo mais amplo de fortalecer a posição diplomática internacional da Indonésia, participando mais diretamente da iniciativa de paz em Gaza.
A Indonésia ofereceu contribuir com até 8.000 soldados para integrar a Força Internacional de Estabilização em Gaza, encarregada de implementar o plano de paz apoiado pelos EUA. Os primeiros 1.000 estarão prontos para serem mobilizados em abril, e o restante em junho. O fato de Prabowo estar disposto a arriscar inflamar os sentimentos políticos internos, que são fortemente favoráveis à causa palestina e hostis a Israel, demonstra sua determinação nesse sentido.
Já sobre tarifas, o presidente foi acompanhado pelos ministros de Energia e Recursos Minerais, Assuntos Econômicos e Investimentos, o que reforça quem defende que aceitar ser parte do conselho faz parte de um plano maior focado em sua economia, o que resultou em um novo acordo econômico, as tarifas que eram de 32% foram pra 19%, uma média de praticamente todos os países da região.
Jacarta reduzirá as barreiras comerciais para mais de 99% das importações americanas e abrirá exceções de exportações de minerais estratégicos para Washington, o que no momento é proibido para fomentar investimento local, em troca de isenções tarifárias para certos produtos essenciais como óleo de palma , café, o cacau, a borracha e as especiarias
Os EUA são o destino de exportação número 2 da Indonésia (US$ 28,14 bi em 2025, bem atrás dos US$ 58,24 bi exportados para a China).
O analista político Carlyle Thayer: a cooperação é uma forma de fugir das tarifas que iniciaram o governo Trump 2, que estão pesando feio no bolso de uma população vivendo sob um governo indonésio já abalado por corrupção e guinada autoritária.
Já o analista político chamado Adrianus Hasawaskita argumenta que Subianto estaria evocando princípios fundadores da diplomacia indonésia (ideias de Mohammad Hatta da necessidade de a Indonésia ser uma força mediadora do mundo islâmico, e se aliar ao máximo de blocos, o que tem feito desde o governo Jokowi ao se aliar com BRICS, D8, OECD e agora com Board of Peace). Mas, que ele só estaria evocando esse princípio por motivos pessoais e para intensificar o interesse ocidental no país, afastando-se da China.
Pessoais ele diz fazendo alusão a um microfone aberto flagrou o presidente indonésio pedindo a Trump uma reunião com seu filho Eric durante um evento no Egito no final do ano passado, aparentemente Trump acenou com a cabeça positivamente.
Vários jornais já tratam essa administração como a mais corrupta da história dos EUA, análises variam entre 1 e 4 bi que Trump e sua família ganharam em apenas 1 ano de governo com tráfico de influência e troca de favores, eric Trump é vice-presidente executivo das Organizações Trump. Jared Kushner, seu genro, é conselheiro próximo na Casa Branca, focando em negociações no Oriente Médio. E Hoje em dia um dos grandes “mentores da nova gaza”.
Vietnã
A motivação do Vietnã parece estar mais voltada para a estabilização do comércio com os EUA, que proporcionalmente é muito mais importante para a economia de Hanoi do que para a da Indonésia ou do Camboja. Além de participar do evento do Conselho de Paz, a Bloomberg noticiou na semana passada que To Lam também está “buscando realizar negociações comerciais”. Com Trump durante sua estadia em Washington, numa tentativa de superar o impasse nas negociações tarifárias entre os dois países, que atualmente é de 20%.
Um dos entraves é o “transbordo”, mercadorias chinesas que estariam indo para os Estados Unidos via Vietnã em uma espécie de triangulação para driblar as tarifas com Pequim. Apesar da imposição de uma tarifa de 20% sobre produtos vietnamitas no ano passado, esse superávit atingiu um recorde de quase US$ 134 bilhões em 2025. O Vietnã sozinho representa 3 ou 4 % de todo o déficit comercial americano com o mundo todo
Como está escrito em um jornal vietnamita: a participação de Lam na reunião inaugural “destaca o papel do Vietnã como membro responsável da comunidade internacional e sua disposição em contribuir para os esforços globais de paz”, informou a mídia estatal esta semana. A viagem também “deveria fortalecer ainda mais os laços de Hanói com Washington, expandir a cooperação em áreas de crescente demanda vietnamita e pontos fortes dos EUA, e apoiar um crescimento comercial mais sustentável entre os dois países”,
O governo concedeu permissão para que a SpaceX, de Elon Musk, lance seu serviço de internet via satélite Starlink no país, após aprovar um teste no ano passado. Será a primeira vez que o país abrirá mão de sua lei de obrigatoriedade de transferência de tecnologia. Elon Musk irá trabalhar no país com 100% de controle estrangeiro em sua subsidiária local
- Tradicionalmente, o Vietnã exige que empresas de telecomunicações estrangeiras formem joint ventures com parceiros locais e limitem sua participação a 50%. No entanto, em fevereiro de 2025, o parlamento aprovou um esquema temporário que dispensa esse limite para provedores de satélite de órbita terrestre baixa (LEO).
- Período de Teste: A Starlink recebeu autorização para operar em um período piloto de cinco anos, com vigência até 1º de janeiro de 2031.
- Limites de Operação: Durante esta fase de testes, o serviço está limitado a um máximo de 600.000 assinantes.
- Licenciamento Oficial: Em fevereiro de 2026, o Ministério da Ciência e Tecnologia emitiu oficialmente as licenças para serviços de internet via satélite fixos e móveis, além do uso de radiofrequências.
- Sede e Controle: A Starlink Services Vietnam está sediada em Hanói
Ontem, o Secretário-Geral do Partido Comunista do Vietnã, To Lam, participou da cerimônia bilateral de assinatura e troca de contratos e acordos de cooperação em setores-chave como ciência e tecnologia, transformação digital, aviação e saúde, em 18 de fevereiro (horário local), em Washington DC (EUA). Avaliado em 37 bi
Hanoi está certamente cedendo a pressões e adulando Trump em nome da sua meta maior anunciada no 14º Congresso Nacional do Partido Comunista do Vietnã, o audacioso plano de crescimento anual de 10% até 2030, visando ultrapassar a renda média e ser considerado um país rico até 2045.
Mas tudo tem um custo, diversos analistas vietnamitas estão desapontados e dizendo que há limites, uma antropóloga vietnamita bem ativa no twitter resumiu a passagem de to Lam postando uma imagem do anúncio da cerimônia com uma foto do líder e do Marco Rubio lado a lado com expressões sérias dizendo: “Para ser bem sincero, esta parece ser a imagem mais triste de ambos os países desde a normalização das relações em 1995.
Conforme confirmam as revelações da Indonésia, a adesão à Balança de Pagamentos tornou-se uma condição para a continuidade das negociações comerciais. Para o Vietnã, a visita aos EUA para tratar da Balança de Pagamentos, um evento de imenso risco reputacional internacional, dada a história do país, representou um sinal de frustração e desespero em relação ao comércio.
A adesão à Balança de Pagamentos como condição coercitiva para a continuação das negociações comerciais foi exposta pela primeira vez pela Indonésia. A Balança de Pagamentos é o exemplo mais recente em que a “integração global” está sendo instrumentalizada para revelar e concretizar a subordinação (por exemplo, o discurso de Mark Carney em Davos).”
Camboja
O Camboja, por sua vez, que já assinou um acordo comercial com os EUA, está motivado pelo desejo duplo de manter o ímpeto positivo das relações com os EUA e de chamar a atenção internacional para o conflito fronteiriço em curso com a Tailândia.
As relações com os EUA melhoraram ao longo do último ano, especialmente desde que Trump ajudou a intermediar um cessar-fogo na disputa fronteiriça. A bajulação bem direcionada ao presidente americano, que incluiu uma indicação ao Prêmio Nobel da Paz, ajudou o Camboja, antes visto em Washington como um estado cliente da China, a obter uma tarifa relativamente branda de 19%. Considerando que é a nação do sudeste asiático mais alinhada com Pequim, e que, na década passada tirou uma base militar americana para ceder anos mais tarde para a China.
Aproveitar o apoio internacional também é a principal estratégia de Phnom Penh para repelir a alegada ocupação de territórios cambojanos pela Tailândia ao longo da fronteira durante os intensos combates entre os dois lados em dezembro.
Em entrevista à Reuters em Washington, Hun Manet acusou a Tailândia de ocupar terras “em território cambojano em diversas áreas”, inclusive além das reivindicações formais da Tailândia, e de violar a “soberania ou integridade territorial” do país. Ele também expressou esperança de que o Conselho de Paz pudesse desempenhar um papel na redução da tensão na fronteira, que ele classificou como “frágil”, apesar do cessar-fogo acordado no final de dezembro.
Ao contrário dos outros, diversas pessoas e empresas do Camboja são sancionados pelo ocidente, a maioria por ligação a fraudes, os chamados scams. Já o país como um todo foi retirado de listas restritivas dos eua no começo desse mês, tanto de embargos de compra de armas quanto da lista do Gafi, por supostamente elevar seus níveis de controle a lavagem de dinheiro.
A Europa não concorda com essa tese, afinal, mantem o país punido com a exclusão do EBA (Everything But Arms), que pune cerca de 20% das exportações para o bloco violações sistemáticas de direitos políticos e de expressão. A China segue a linha europeia, tem apertado a fiscalização ao país prendendo e extraditando grandes empresários chineses acusado de golpes em território cambojano, como o Chen Zhi, bilionário acusado de chefiar uma rede criminosa transnacional com claros vínculos a elite política cambojana e tailandesa.
Parece que pode-se dizer que, dos 3, o Camboja foi o que mais aderiu ao bloco “de cara limpa”. Entendeu que nesse momento de falta de legitimidade internacional, bajular o maior líder personalista do momento traz frutos políticos e econômicos, e portanto, vai ao “Conselho da Paz” com muito menos pudor que seus vizinhos. O país sabe que isolamento internacional e crise política nesse exato momento de uma delicada transição política de mais de 30 anos pode ser fatal, então não vê o menor problema ou contradição nisso.
Resposta de outros da região
O que mais choca à primeira vista na região é Camboja, Vietnã e Indonésia aderirem e Tailândia e Filipinas não, aliados históricos e de maior profundidade com a América.
A Malásia, o maior defensor da causa palestina no Sudeste Asiático, deixou claro que sua posição sobre o Conselho de Paz está intimamente ligada à sua forte oposição ao plano de paz liderado pelos EUA para Gaza e à trajetória do apoio americano a Israel de forma mais geral. Como afirmou o primeiro-ministro Anwar Ibrahim no mês passado, a Malásia não considerará apoiar a iniciativa enquanto não houver “garantias genuinamente fortes e firmes em relação ao povo de Gaza e da Palestina”.
Tailândia, Singapura e Filipinas não explicaram por que não aderiram, mas sua ausência (e a de outras nações do Sudeste Asiático) provavelmente reflete o alto grau de cautela regional em relação ao unilateralismo de Trump e aos riscos de minar as instituições de governança global que sustentaram a prosperidade da região. O sudeste asiático só se transformou no que é devido a previsibilidade do comércio internacional e a estabilidade com potências mundiais, principalmente as vencedoras do pós-guerra.
Entrar no Conselho, é de certa forma, minar tudo o que sustenta os pilares da paz do sudeste asiático. Além do mais, todo essse esforços desses países podem ter sido em vão, a Suprema Corte dos Estados Unidos acabaram de derrubar as tarifas de Trump, eu até poderia pesquisar o que a lei manda nesse caso, mas como os eua vivem em um momento de implosão e de vale-tudo presidencial, não vou me dar ao trabalho, porque tudo pode acontecer, inclusive nada.
Gaza
O porta-voz do Exército, Donny Pramono, disse que a Indonésia estava pronta para enviar até 1.000 soldados para Gaza até abril, e que esse número poderia aumentar para 8.000 até o final de junho deste ano. Aparentemente 5 países ficarão responsáveis por uma área, e Jacarta ficara com Rafah.
A Indonésia tem experiência no envio de tropas para tais missões, inclusive no Oriente Médio. Seu primeiro destacamento foi para o Egito em 1956, após a crise de Suez, e cerca de 1.000 soldados indonésios estão atualmente estacionados na fronteira entre Israel e Líbano.”
Hikmahanto Juwana, professor de direito internacional da Universidade da Indonésia, em Jacarta.
“Na base da sociedade, existe a suspeita de que o Conselho da Paz sirva como uma extensão do plano de Netanyahu por meio do presidente Donald Trump”. Recentemente, cerca de 100 moradores protestaram em frente à embaixada dos EUA em Jacarta, afirmando que o Conselho da Paz estava ali apenas para cumprir os interesses dos governos israelense e americano.”
A diretora da rede Gusdurian Indonesia (Alissa Wahid), dia 2 de fevereiro, criticou publicamente a inocência de Subianto se ele acha que a Board of Peace é algo diferente de um órgão para avançar interesses de Trump: primeiro porque os próprios palestinos não têm qualquer voz nas discussões sobre o futuro de seu país, segundo por causa dos próprios rumos das discussões: Marco Rubio argumentou que a Board of Peace foi criada porque a ONU “não deu conta de terminar a Guerra em Paz e a Guerra na Ucrânia” – puro cinismo, afinal, os eua é o único culpado por seguir a matança vetando toda e qualquer iniciativa.
O EUA investiu USD 16,3 bilhões na ofensiva israelense – o plano para a reconstrução de Gaza é juntar US$ 5 bilhões de um território do tamanho da Grande Detroit, o que não reconstruirá nada. O investimento dos +- US$ 65bi que faltariam para reconstruir a infra-estrutura básica do lugar acabaria vindo de bancos de investimento e empreiteiras – é mais uma chance de fazer dinheiro para empresas multinacionais.
Segundo relatos da mídia australiana, há cerca de duas semanas, o presidente Prabowo realizou uma reunião com ex-ministros e diplomatas de alto escalão, durante a qual explicou os motivos que o levaram a ingressar no Conselho de Paz.
“Ele foi muito convincente… ele quer demonstrar liderança lá”, disse uma das pessoas que participaram da reunião à Australian Broadcasting Corporation . “Ele sabe que [o Conselho da Paz], entre outros, é o melhor canal para a Indonésia apoiar a independência da Palestina e garantir que uma solução de dois Estados seja mencionada na reunião.”
Yossi Mekelberg, consultor sênior do programa para o Oriente Médio e Norte da África do think tank britânico Chatham House.
“A Indonésia é um país mais distante, então seria mais aceitável para todos os lados, porque não seria vista como um país com segundas intenções”, disse Mekelberg à DW Arabic.
A distância geográfica da Indonésia em relação ao Oriente Médio pode ter vantagens e desvantagens, argumentou Mekelberg. As tropas indonésias não estão familiarizadas com o terreno e o equilíbrio de poder na região, podendo ter dificuldades de adaptação. Mas, com tempo e treinamento, também podem obter sucesso.
O sucesso dos indonésios também depende de “se ambos os lados forem realmente sinceros em sua intenção de respeitar o cessar-fogo”, observou Mekelberg.
O Ministro das Relações Exterior, Sugiono, disse que a Indonésia sairia da Board of Peace caso “percebesse que ela não se aliasse à causa da independência palestina”
E pelo cometimento dos maiores absurdos nesse eterno massacre em Gaza, nem é preciso dizer que ele, o consultor sênior do think thank britânico e quem mais achar que a Indonésia terá alguma voz em Gaza, está profundamente enganado ou é incrivelmente sínico.
Afinal, como mostrou uma matéria de hoje do Jamil Chade, os países-membros só puderam falar por 2 minutos e com um discurso já pronto feito pelo próprio governo americano , enquanto Trump falou por cerca de 40m, e claro, somente os Estados Unidos tem o poder de veto nesse órgão.
Referencias
https://www.dw.com/en/why-is-indonesia-offering-to-send-thousands-of-troops-into-gaza/a-76039552
https://www.abc.net.au/news/2026-01-31/asian-powers-join-trump-board-of-peace/106277784
https://www.idnfinancials.com/news/59835/indonesia-us-seal-tariff-deal-prabowo-and-trump-to-sign-in-january
https://en.antaranews.com/news/398557/china-remains-indonesias-top-export-destination-in-jan-nov-2025
https://news.detik.com/berita/d-8336960/mui-minta-ri-mundur-dari-board-of-peace-istana-buka-suara#google_vignette
Presiden Prabowo Tegaskan Komitmen Perjuangkan Kemerdekaan Palestina melalui Board of Peace
https://nasional.kompas.com/read/2026/02/04/08424341/alasan-indonesia-gabung-board-of-peace-menciptakan-perdamaian-di-palestina
Números da invasão https://www.aljazeera.com/news/2025/10/7/two-years-of-israels-genocide-in-gaza-by-the-numbers
https://islamic-relief.org/news/gaza-ceasefire-explained-2/
https://www.bbc.com/news/articles/c70155nked7o
https://docs.un.org/en/s/res/2803%282025%29
https://www.aljazeera.com/news/2025/11/11/how-many-times-has-israel-violated-the-gaza-ceasefire-here-are-the-numbers
https://www.reuters.com/world/asia-pacific/indonesia-us-sign-agreement-reciprocal-trade-indonesian-ministry-says-2026-02-20/
https://thediplomat.com/2026/02/vietnam-gives-greenlight-to-starlink-satellite-internet-service/
https://thediplomat.com/2026/02/3-southeast-asian-leaders-arrive-in-washington-for-board-of-peace-summit/
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