Estado de Direito, Desenvolvimento Econômico e Direitos Humanos

O desenvolvimento econômico de um país está umbilicalmente ligado com o Estado de Direito (com raríssimas exceções). E esse Estado de Direito está igualmente ligado em importância com a proteção dos contratos e a defesa dos Direitos Humanos. Por mais estranho que seja defender o óbvio, essa é a realidade do cenário atual do Brasil.

Um ambiente institucional que falha em proteger os Direitos Humanos, consequentemente, também falha em manter contratos e deságua na diminuição de investimentos e da confiança internacional.

Lei e a Ordem sustentam qualquer economia que funcione bem, “lei” se refere à robustez e imparcialidade do sistema jurídico, enquanto “ordem” se refere à observância e manutenção dessa lei. Nos modelos da economia de mercado, a manutenção do Estado de Direito, bem como o respeito aos direitos de propriedade e direitos contratuais, são alguns dos principais ingredientes para o funcionamento eficiente dos mercados.

Há inúmeros estudos que apontam para a relação entre Estado sem direitos e fluxos anêmicos de investimento estrangeiro. Em uma pesquisa internacional com mais de 300 grandes corporações multinacionais da Economist Intelligence Unit, o Estado de Direito estava entre as três principais considerações na tomada de decisões de Investimento Estrangeiro Direto (IDE), com quase 90% dos entrevistados indicando como “essencial” ou “muito importante”.

A santidade dos contratos é uma coisa e direitos humanos outra? Atualmente, existem evidências concretas de que o desenvolvimento econômico não se limita apenas à sua aplicação direta em relação aos direitos privados e de propriedade. A defesa dos direitos humanos é também de extrema importância para impulsionar os investimentos e o desenvolvimento.

Pesquisas recentes sobre entradas de IDE correlacionaram violações de direitos humanos e pessimismo de investidores. Em uma análise de dados de painel de 165 países durante o período de 1977 a 2013, os resultados demonstraram que “os países condenados pelo UNHRCC (Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas) estão associados a um declínio de aproximadamente 49% nos fluxos de IDE”.

Os autores observaram ainda que: “Esses resultados sugerem que a vergonha do UNHRCC é um dos principais fatores que afetam negativamente o IDE […] possivelmente devido à alta visibilidade das condenações de um organismo internacional como a ONU e à forte pressão das resoluções sobre reputação comercial (efeito gargalo), bem como efeitos do isolamento do país na comunidade internacional (efeito proscrito). Claramente, a condenação por violações de direitos humanos pode criar efeitos indiretos em outras áreas, como fluxos de comércio e investimento, segurança parcerias e assistência ao desenvolvimento”.

Nas discussões sobre desenvolvimento econômico, geralmente não se pesa fatores externos como a independência do judiciário. Como se fosse possível operar uma economia forte e crescente, sem um judiciário imparcial, eficiente e confiável. E por óbvio, essa instituição judiciária forte compreende também as pautas sociais como Direitos Humanos.

Outro exemplo dessa correlação entre Estado de Direito, judiciário imparcial e respeito aos Direitos Humanos é o mundialmente conceituado FDI Global Index, que mede investimento estrangeiro direto. Abaixo estão os países que mais devem atrair esse tipo de investimento nos próximos três anos:

 

  1. Estados Unidos
  2. Alemanha
  3. Canadá
  4. Reino Unido
  5. França
  6. Japão
  7. China
  8. Itália
  9. Austrália
  10. Cingapura
  11. Espanha
  12. Holanda
  13. Suíça
  14. Dinamarca
  15. Suécia
  16. Índia
  17. Coreia do Sul
  18. Bélgica
  19. Nova Zelândia
  20. Irlanda
  21. Áustria
  22. Taiwan
  23. Finlândia
  24. Noruega
  25. México

 

* O Brasil saiu esse ano dessa lista

** Somente a China não é uma democracia dentre os 25.