Guerreiras, políticas e líderes – Mulheres históricas do sudeste asiático

O post de hoje é uma singela homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Cada país da ASEAN será aqui representado por uma mulher que marcou história em seu território.

 

Raja Hilau – Tailândia / Malásia

 

Foi uma rainha soberana malaia de Patani (sul da Tailândia e norte da Malásia) que reinou de 1584 a 1616, seu nome significa “Rainha Verde”. Ela também era conhecida como a “grande rainha de Patani“, seu governo ficou marcado como a era de ouro de Patani.

Durante o seu reinado, o comércio com o mundo exterior aumentou, e comerciantes europeus chegaram ao porto. Mesmo diante de conflitos entre ingleses e holandeses soube administrar muito bem a região.

Os relatos de europeus sobre ela são inúmeros, que vão desde “alguém que sabe tratar os mercadores” a “uma pessoa alta e cheia de majestade”, a riqueza de Patani também impressionou os estrangeiros que a descreveram o palácio “painéis dourados e decorações de madeira entalhada”.

Quando ela saia para caçar mais de 600 barcos a acompanhavam, e quando retornava mais de 4 mil homens e 150 elefantes saudavam sua majestade. Governou por 32 anos, e como forma de respeito e agradecimento, quando faleceu, todos os homens de Patani rasparam seus e as mulheres apararam seus cabelos. Com ela, deu-se início a uma série de sucessões femininas de sua família ao trono de Patani que só terminou em 1688.

 

Lady Mook e Lady Chan – Tailândia

 

Em 1700, o povo da Tailândia (então Sião) estava em guerra com os birmaneses. Os birmaneses derrubaram o rei do Sião no final do século XVIII, eles planejavam tomar o país e dividi-lo em nove partes todas controladas pelo exército birmanês. O governador de Phuket, marido de Chan, faleceu, então, ela e sua irmã motivaram as tropas a partir e lutar contra os invasores birmaneses.

Depois de semanas de luta, Chan e Mook tiveram a ideia de disfarçar as mulheres da cidade como guerreiros para enganar os birmaneses e fazê-los pensar que tinham muitos mais homens aptos para lutar do que realmente havia. Os birmaneses caíram na armadilha e recuaram, deixando as mulheres como heroínas. Após a guerra, o rei Rama I deu às duas mulheres uma classificação nobre como um símbolo de quão grato ele era por sua bravura.

As irmãs foram fundamentais nos anos que se seguiram à guerra, criando um acordo comercial com a British East India Company utilizando sua mineração de estanho como fonte comercial também como forma de impedir outro ataque, algo extremamente incomum para a época, mulheres da época se restringiam a casa e cuidar de filhos. Há um monumento em homenagem a elas até hoje no país.

 

Siti Wan Kembang – Malásia

 

Foi uma rainha lendária que reinou sobre uma região na costa leste da Península da Malásia , agora localizada no estado malaio de Kelantan . Acredita-se que ela governou no século XVII entre 1610 e 1677. Ela era conhecida como uma rainha guerreira e lutou a cavalo com uma espada acompanhada por um exército de cavaleiras. Dizia-se que ela e sua filha adotiva possuíam poderes místicos. Diz a lenda que Che Siti nunca morreu, apenas “desapareceu” no mundo místico e reaparece de vez em quando, ela foi sucedida por sua filha.

Acredita-se que ela nasceu em 1580 e seu pai foi um sultão que morreu quando ela era ainda uma criança, seu reinado ficou famoso na época e atraia turistas de regiões mais distantes como árabes, que passou a criar uma forte influência do islã na região. Ela foi descrita como uma líder piedosa com memória duradoura, guerreira com grandes habilidades com cavalos e arco e flecha. Segundo um livro que conta sua história, ela aprendeu árabe e passou a adorar Alá.

 

 

Keumalahayati – Indonésia

A primeira mulher almirante do mundo moderno (caso Artemísia não entre na conta), esse é o legado de Keumalahayati, almirante da marinha do Sultanato de Aceh , que governava a área da moderna Província de Aceh , Sumatra , Indonésia.

Após Malaca cair para os portugueses, Aceh permaneceu forte e garantiu que as rotas de navios mercantes no Estreito de Malaca permanecessem exclusivamente para comerciantes asiáticos. O sultão do reino, investiu em uma poderosa marinha e decidiu nomear Keumalahayat como seu primeiro almirante. Ela também provou ser uma comandante lendária durante várias batalhas com portugueses e holandeses.

Em 1599, o holandês comandante de uma expedição Cornelis de Houtman, chegou ao porto de Aceh. O sultão o aceitou negociar pacificamente até que Houtman o insultou. O holandês, já havia se envolvido em conflitos com sultões locais da região.  Keumalahayat liderou o Exército e, após várias batalhas violentas, finalmente matou de Houtman.

Ela também liderou a negociação de pagamento de compensação dos holandeses por roubo de algumas especiarias nos anos seguintes, assim como, foi a principal responsável pela abertura do comercio com os ingleses, negociando com James Lancaster que lá estava a pedido direto da rainha Elizabeth I.

Ela foi morta em combate com uma frota portuguesa, um dos principais navios da moderna frota indonésia dos dias de hoje leva seu nome, assim como estradas, universidades e hospitais na cidade de Sumatra.

 

As irmãs Trung – Vietnã

O Vietnã ficou sob domínio chinês por mil anos, durante o período, alguns motins foram feitos, poucos tiveram a importância do comandado pelas irmãs Trung no século I.

Montadas em elefantes, elas conseguiram vencer toda uma unidade chinesa e os mantiveram longe por 2 anos, reuniram cerca de 80 mil homens. Os chineses formaram um grande exército para derrotá-las e, segundo a lenda, os soldados inimigos foram nus ao campo de batalha para envergonhar as mulheres.

Diante de sua derrota iminente, as rainhas Trung se suicidaram por afogamento no rio Hát para preservar sua honra. Hoje, as irmãs são consideradas heroínas nacionais do Vietnã.

 

Hajjah Fatimah – Cingapura

 

“Hajjah” é um título honorífico dado às mulheres que completaram sua peregrinação a Meca. Fatimah era de uma família conhecida de Malaca que se estabeleceu em Cingapura. Casou-se com um príncipe local que faleceu pouco tempo após o matrimônio.  Viúva ainda jovem, ela continuou nos negócios do marido e ganhou grande fortuna.

Após ter sua casa roubada e incendiada por duas vezes e ter sua vida poupada em ambos os casos, ela resolveu doar o terreno para a construção de uma mesquita como forma de agradecimento. Ela viveu até os 98 anos de idade e fez uma série de caridades, sendo responsável pela construção de inúmeras casas para doação aos mais pobres.

Em 2005, Hajjah Fatimah foi introduzida no Hall da Fama das Mulheres de Cingapura pelo Conselho de Organização das Mulheres de Cingapura.

 

Indradevi – Camboja

Foi uma rainha do Império Khmer  entre 1181 e 1219 que influenciou os assuntos de Estado por meio de seu marido, o rei Jayavarman VII. Uma entusiasta e estudante do budismo, ela foi nomeada professora de 3 templos locais devido ao seu alto conhecimento em  sânscrito, com seus ensinamentos sobre sua religião foi a grande responsável pela doação de toda riqueza de sua irmã, também casada com um líder local.

Sempre descrita como líder e culta, também foi poetisa. Estudos recentes têm questionados se as duas irmãs não foram as responsáveis diretas pela construção arquitetônica do império Khmer desse período. O que se sabe é que nesses anos homens e mulheres tinham direito à educação, propriedade e poder político.

Muitas estátuas femininas que estão sendo estudadas nos dias de hoje e geralmente são atribuídas a Deusas podem ser na verdade grandes mulheres do império.

 

Urduja – Filipinas

A princesa guerreira Urduja foi descrita nos contos do viajante marroquino  Ibn Battuta por volta de 1350, ninguém sabe ao certo se ela realmente existiu e/ou até onde é real o que foi descrito por ele. Segundo o relato, ela comandou uma região onde hoje é Filipinas e que rivalizava diretamente com a China, que nessa época, tinha no poder a etnia mongol.

Urduja era uma guerreira que participou pessoalmente de diversas lutas e se envolveu em duelos com outros guerreiros. Ela foi citada como tendo dito que somente se casaria com quem a vencesse num duelo. Com medo de serem desonrados, raramente alguém a aceitava a tarefa.

Segundo ele, ela o impressionou com suas façanhas militares e sua ambição de liderar uma expedição à Índia, conhecida por ela como o “País da Pimenta”. Além de demonstrar uma ótima hospitalidade aos visitantes e preparar um banquete para que aguentassem a viagem até a China.

Ele a descreveu como alta, bonita, pele bronzeada, cabelo liso e escuro e olhos negros e profundos. O que a faz como alguém das Filipinas de hoje são os cálculos dos tempos das viagens que o escritor marroquino fez.

 

Supayalat – Mianmar

Foi a última rainha da Birmânia, reinou entre 1878 e 1885. Foi casada com seu meio irmão Thibaw, que foi o último rei da dinastia Konbaungem. A família real vivia em um palácio de ouro que foi destruído durante a Segunda Guerra mundial. Ela é mais conhecida por arquitetar um massacre de 80 a 100 membros da família real para evitar que rivais políticos tentassem tirá-la do poder, há quem diga sua mãe que foi a verdadeira responsável pelo ato.

Após a morte do marido e da irmã ela insistiu com os britânicos que o funeral deveria seguir os rituais locais e que os corpos teriam que ir para a capital real Mandalay. Com o pedido negado e como forma de protesto, ela mesma os enterrou no quintal do palácio que estavam exilados.

Os britânicos levaram os corpos e fizeram uma cerimônia, Suprayat não compareceu ao evento, o que a tornou como um símbolo de resistência da luta anticolonial. Em seus seis anos de vida seguintes ela sempre denunciou roubos de joias que estavam no palácio e alegou não dever nada aos britânicos mesmo recebendo pensão mensal e vivendo em outro palácio.

 

Adina binti Othman – Brunei

É uma burocrata bruneana, atuou como vice-ministra da Cultura, Juventude e Esportes entre 2010 e 2015 e foi a primeira mulher em Brunei a ocupar o cargo de vice-ministra. É bacharel em estudos e direito do sudeste asiático e pós-graduada em administração de arquivos, trabalhou por 32 anos no Ministério da Cultura, Juventude e Esportes.

Em 2009, ela recebeu o Prêmio Brunei Mulher Líder na Sociedade Civil. Com base em seu trabalho de desenvolvimento comunitário e juvenil, ela foi nomeada representante de Brunei na Comissão da ASEAN para a Promoção e Proteção dos Direitos das Mulheres e Crianças em abril de 2010.

 

União das Mulheres do Laos – Laos

 

A União das Mulheres do Laos é uma organização pelos direitos das mulheres com forte eco na sociedade. Estabelecida em 1955, é responsável por promover políticas governamentais sobre as mulheres e proteger os direitos das mulheres dentro do governo. O cargo de Presidente da União das Mulheres do Laos é de nível ministerial e, portanto, a titular do cargo tem o direito de assistir às reuniões do Governo do Laos .