Os 100 anos do “Heartland”, o “Rimland” e a região em eterno conflito.

Halford Mackinder, em 1919, publicou o “Realidades Democráticas”, nesse escrito nasce o conceito de “Heartland”. Para ele, o Heartland se localizaria no centro da Eurásia, estendendo-se do Volga ao Yangtzé e do Himalaia ao Ártico.

O conceito de Heartland inclui a noção de que esta é uma vasta região com grande quantidade e diversidade de recursos naturais, que vão das grandes florestas e grandes planícies e estepes do centro da Eurásia, até os ricos campos ucranianos e as grandes reservas petrolíferas do Mar Cáspio.

As disputas pelo controle do Heartland estariam no centro da Geopolítica global, na interpretação de Mackinder, pois o Estado que controlasse todo o Heartland poderia tentar obter saídas para mares abertos e tornar-se uma potência anfíbia que poderia dominar o que ele denominava Ilha Mundo, ou seja, a maior porção terrestre do Planeta, que abrangeria a Eurásia e África do Norte.

Ele alertou que se todo esse território fosse regido sob um único governo, ele seria invencível, e que isso seria uma grande ameaça à liberdade. Para demonstrar a importância da região, ele citou que historicamente, os grande exércitos conquistadores vinham dessas áreas, como os Mongóis e os Persas, assim como os europeus sempre tentaram conquistá-la, citando Alexandre o Grande e Napoleão (sem mencionar Hitler, que veio posteriormente).

Especialistas do mundo inteiro acreditam que o grande temor dos EUA é justamente a união de China, Rússia, Irã e Índia por todo potencial bélico, econômico e territorial que representam, conceito esse, nascido nos escritos de Mackinder. Segundo eles, o que resta para os EUA, e o que a superpotência já o faz há décadas, é usar uma teoria subsequente ao Heartland, o “Rimland”, também chamada de “Estratégia da Contenção”.

Spykman desenvolveu em 1942, uma teoria em cima da de Mackinder, a respeito da influência da geografia nas disputas globais, especialmente na Eurásia ao longo da história. O autor compartilha com Mackinder a ideia da unicidade da superfície líquida do planeta e da divisão da superfície terrestre em grandes blocos insulares formados por uma série de ilhas-continente.

A diferença é que para Spykman, o papel do Rimland é central. Esta região seria a chave das disputas geopolíticas mais importantes da Eurásia. Quem dominasse o Rimland, decidiria o futuro da Eurásia, a “ilha-mundo” de Mackinder.

E por isso, Spykman sempre defendeu uma política externa americana intervencionista. Partindo do pressuposto de que as condições geográficas de um país determinam sua estratégia de segurança, era indispensável à segurança dos Estados Unidos ultrapassar os limites de suas fronteiras.

A primeira linha de defesa deveria estar situada na orla eurasiática, ou seja, em países fronteiriços com o Heartland, para frear a expansão soviética, e consequentemente, a criação de bases navais situadas no Hemisfério Norte, região que concentra os maiores polos de poder.

Segundo Spykman essas medias seriam fundamentais para evitar o domínio “inimigo”, pois de acordo com sua teoria, a União Soviética representaria o domínio dos recursos demográficos e naturais da eurásia e, por conseguinte, a chance de controlar o mundo. E os EUA deveriam tomar essas, entre outras atitudes, para manter sua “soberania e segurança estratégica”.

Em outras palavras, para Mackinder, quem controla o Heartland controla o mundo, enquanto que para Spykman, quem controla o poder mundial é quem é capaz de cercá-lo.