Asean News 23 – E as eleições em Cingapura

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Notícias da semana – 11/07/2020 a 17/07/2020

 

 

#ASEAN

1 – Após o lançamento de um relatório na semana passada, destacando o impacto devastador das armadilhas na vida selvagem no sudeste da Ásia, o Fundo Mundial para a Vida Selvagem pediu aos governos da região que aumentem seus esforços para capturar e punir os autores.

Você conecta um fio barato, corda de nylon ou cabo torcido a uma árvore e o deixa no chão da selva. Ele agarra o animal quando ele passa pelo laço e o prende lá, amarrado a uma árvore, esperando o caçador voltar. Eles são eficientes, existem cerca de 12,3 milhões deles espalhados por florestas no Camboja, Laos e Vietnã, de acordo com o relatório do World Wildlife Fund Silence of the Snares : Snaring Crisis do Sudeste Asiático .

Essas armadilhas não discriminam o que pegam. Elas capturam tudo o que anda no chão, de esquilos e macacos a pangolins, ursos, elefantes e tigres. Segundo o relatório, a armadilha afeta 80% das famílias de mamíferos terrestres do sudeste asiático. Às vezes, o animal fica ali, lutando por dias ou semanas antes de morrer pela sua lesão ou de fome. Esse tipo de comércio é bilionário na região.

No sudeste da Ásia, apenas Malásia e Vietnã garantem uma penalidade mínima grave para qualquer tipo de caça por armadilhas dentro de área protegida – entre US $ 11.000 e US $ 13.000. Seres humanos também são vitimas fatais da prática, seja diretamente pela armadilha seja pela ingestão desses animais selvagens.

Segundo o relatório cerca de um em cada dez pessoas consomem animais selvagens o que leva ao fenômeno chamado de “florestas vazias”. Muitas áreas da região já não têm vida selvagem, existem áreas imensas que você não vê nenhum animal, não ouve nenhum pássaro.

 

2 – Apenas Vietnã, Indonésia e Coreia do Sul registram aumentos de voos em julho em todo o planeta, a Ásia vai puxar o crescimento do setor em 2020. Os EUA registraram uma queda de 46% em comparação com julho de 2019.

 

3 – Economia chinesa cresce 3,2% no segundo trimestre quando a previsão era de 2,4%, isso após uma queda de 6,8% no primeiro trimestre. A China é o maior ou o segundo maior parceiro comercial dos países do bloco, o que pode acelerar a volta do crescimento na região. Por outro lado, indicadores de confiança dos consumidores, consumo das famílias e demanda doméstica ainda estão no negativo.

 

4 – EUA fornecerá três radares móveis de longo alcance da Lockheed Martin para a Malásia e a Indonésia, eles são capazes de executar simultaneamente missões de vigilância aérea e marítima. O TPS-77 MRR é a versão mais recente da bem-sucedida linha de produtos da Lockheed Martin de radares de vigilância.

 

 

#Brunei

1 – Brunei registra maior venda de carros em todo sudeste asiático: 8%. Com exceção de Mianmar, que também registrou um crescimento positivo de 4,7%, o restante dos países da Asean registrou uma queda drástica nas vendas de carros, variando de tão baixo quanto entre -34% e -53%.

 

 

 

#Camboja

1 – O relator especial da ONU para a Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão alegou que o Camboja está entre os países que estão usando a pandemia para aumentar repressões, como o desligamento da internet em áreas com protestos, prisão de repórteres e espalhamento de notícias falsas. O governo rejeitou o relatório e disse que estava indignado com essas acusações, que a todo o momento salvar vidas foi a prioridade.

 

 

 

#Cingapura

1 – Democracia autoritária é como alguns chamando a cidade-estado. Muitas liberdades individuais são permitidas, porém, criticar o governo e fazer ou participar de protestos sem seu aval é passível de prisão. E por não ser uma democracia aos moldes ocidentais ela possui alguns mecanismos “diferentes”, para muitos, mecanismos que não permitem uma efetiva troca de poder.

O PAP (Partido de Ação Popular), partido no poder desde a independência recebeu 61% dos votos e mesmo assim ficou com 89% dos assentos em uma eleição recorde, com 95,6% de participação. Com 10 parlamentares da oposição eleitos diretamente, esta é a maior oposição eleita diretamente, o recorde anterior era de 6 deputados nas eleições de 2011.

Resultado histórico dos assentos do PAP:

2020: 89,2%

2015: 93,3%

2011: 97,6%

2006: 97,6%

2001: 97,6%

Resultado do final de semana em comparação ao anterior de 2015:

PAP- Conservador: 61.2% (-7.8)

WP-Centro-esquerda: 11.2% (-1.7)

PSP-Centro: 10.2% (new)

SDP-Liberal: 4.5% (+0.7)

NSP-Liberal: 3.8 (+0.3)

2 – A economia de Cingapura encolheu mais de 40% no segundo trimestre, no acumulado do ano, a economia contraiu 12,6%. O setor de construção encolheu 54,7% em relação ao ano anterior e 95,6% em relação ao trimestre anterior, os serviços, incluindo negócios relacionados ao turismo e transporte aéreo, caíram 13,6%. Mas a manufatura cresceu 2,5% por causa do aumento da produção no setor biomédico. Talvez esses números sejam claros sobre os motivos da eleição ter sido antecipada, a crise vem aí.

 

 

 

#Filipinas

1 – A T + L, um dos maiores sites de viagem do mundo faz anualmente o World Best Awards, para votar, entre outras categorias, na melhor ilha da Ásia, e o vencedor desse ano foi a ilha de Palawan.

2 – Os legisladores filipinos votaram na sexta-feira a rejeitar a renovação da licença da maior rede de TV do país, fechando um importante provedor de notícias que havia sido repetidamente ameaçado pelo presidente por sua cobertura crítica.

O Comitê de Franquias da Câmara dos Deputados votou 70-11 para rejeitar uma nova licença de 25 anos e a ABS-CBN deve fechar de vez. Somente a Câmara dos Deputados que é dominada predominantemente pelos aliados do presidente Rodrigo Duterte pode conceder ou revogar a franquia, e a chance de qualquer reversão é pouquíssimo provável.

Os observadores da mídia internacional condenaram o fechamento do ABS-CBN, que foi fundado em 1953, como um grande golpe para a liberdade de imprensa. O ABS-CBN possui mais de 11.000 funcionários, além de reportar as novidades sobre o coronavírus, forneceu alimentos e assistência médica a mais de 2 milhões de pessoas, disseram funcionários da empresa.

 

 

 

#Indonesia

1 – Megaprojeto que visa evitar possíveis crises de alimentos no futuro é um grande tiro no escuro. O país é altamente dependente de importações de alimentos, o projeto visa transformar 400.000 acres de floresta nativa em arrozais e outras terras agrícolas. O primeiro problema é que nenhuma comunidade indígena local foi consultada, o segundo é que na década de 90 algo assim foi feito durante a ditadura do presidente Suharto e o resultado foi catastrófico: grandes áreas de florestas sumiram e o solo não tinha nutrientes necessários para arrozais e outros alimentos. Ainda há o agravante de queimadas futuras após a derrubada da floresta.

O Ministério da Agricultura estuda apoiar a agricultura integrada, incentivando através de créditos os agricultores que diversificarem suas produções. “Ao alcançar a autossuficiência alimentar da Indonésia, o ministério apoia muito os agricultores na implementação do método de agricultura integrado com zero desperdício”, disse Suwandi, diretor geral de culturas alimentares do Ministério da Agricultura.

 

2 – Após a morte de 143 pessoas em um deslizamento de resíduos em um aterro, o popular lixão, o governo criou um programa de reciclagem que recupera 8 toneladas de lixo por dia. O programa ainda pode ser melhorado, autoridades estudam expandir a reciclagem para alimentos orgânicos e colocar a classe média e os ricos no programa de alguma forma, conceder algum tipo de benefícios para que eles também se sintam engajados a separar o lixo e facilitar a coleta.

 

3 – Seguem os protestos contra os trabalhadores chineses. Os organizadores estão pedindo ao governo que interrompa essa chegada e deporte os que já estão por lá. Na noite de terça-feira, mais de 100 pessoas se manifestaram no aeroporto de Kendari. Segundo os manifestantes, mais de 120 trabalhadores chineses chegaram na noite de terça-feira e foram escoltados do aeroporto por policiais e militares “totalmente armados”.

 

 

#Laos

1 – Moradores da capital, Vientiane, estão resistindo à apreensão de suas terras por uma joint venture entre o Laos e a China que está construindo uma via expressa, eles alegam que o governo havia prometido que não perderiam suas terras e a compensação por elas é um valor inaceitável. Segundo moradores, prática é comum no país.

 

 

 

#Malasia

1 – O primeiro-ministro da Malásia ganhou por pouco uma votação para remover o presidente do parlamento durante uma sessão turbulenta do legislativo na segunda-feira, um teste-chave para Muhyiddin Yassin. Ele assumiu o poder sem uma eleição direta e havia especulações de que ele não tinha apoio suficiente dos deputados para se manter no poder, o que foi quase confirmado, ele venceu por 111 votos contra 109.

O Presidente removido era indicação do governo anterior, o que causou fúria da oposição. Especula-se que com esse voto de confiança, Yassin tenha mais apoio para governar.

A crise política da Malásia começou em fevereiro, quando então primeiro-ministro Mahathir, de 95 anos, deixou o cargo e sua coalizão multirracial, que chegou ao poder nas eleições de 2018 de forma inédita, entrou em colapso em meio a lutas amargas.

O problema foi que o partido Organização Nacional dos Estados Unidos da Malásia voltou ao poder mesmo após perder as eleições, Lembrando que o partido saiu do poder pela primeira vez após escândalos de corrupção bilionários que chegaram até mesmo em Hollywood com financiamento de filmes.

 

2 – Na recente 36ª Cúpula da ASEAN, o primeiro-ministro Muhyiddin Yassin anunciou que a Malásia não pode mais aceitar refugiados Rohingya de Mianmar. À medida que os rohingyas se tornaram cada vez mais proeminentes na Malásia ao longo dos anos, certos setores passaram a percebê-los como uma ameaça social, econômica e de segurança. Com os recursos nacionais diminuindo com a atual crise econômica e pandêmica, a xenofobia também está aumentando.

O protesto liderado pelo governo da Malásia chamou a atenção global: foi contra a convenção da ASEAN de não interferência nos assuntos internos dos Estados membros. Para os rohingyas que fugiam de Mianmar, a Malásia parecia ser a bandeira da esperança. Apesar da agenda global de solidariedade muçulmana do governo em sua política externa, internamente, os rohingyas e outros refugiados enfrentam desafios de longa data.

Recentemente, uma imagem de uma faixa anti-Rohingya do lado de fora de uma mesquita na Malásia se tornou viral, após o anúncio do governo de que apenas malaios poderão assistir às orações congregacionais nas mesquitas.

A pandemia do COVID-19 ofereceu à Malásia a oportunidade de envolver países regionais e agências internacionais a compartilhar responsabilidades em relação aos Rohingyas. Esta será uma tarefa árdua, dado o número de refugiados e as décadas de imigração.

 

 

 

#Mianmar

Nat Ma Mountain está há 3.053 metros acima do nível do mar, é um dos maiores picos do Sudeste Asiático.

2 – Embora não tenham coragem nem possam dizer publicamente, já não é mais segredo que os militares suspeitam que a China forneça armas para os “rebeldes” em Rakhine. Em declarações à imprensa na Rússia, o comandante-geral militar, Min Aung Hlaing, pediu cooperação internacional na luta contra o terrorismo e afirmou que grupos terroristas existem por causa das forças grandes que os apoiam.

Motivos que a China teria: Mianmar tem estreitado laços militares com a Rússia e a Índia, militares indianos têm dado treinamento de inteligência e vigilância para o governo. E alguns grupos rebeldes do país possuem laços com o partido comunista de Mianmar.

Foto de apreensões do governo em 2019 e 2020 em área rebeldes que mostra armamento pesado de fabricação chinesa:

 

 

#Tailandia

1 – Um dia após liberar entrada de Diplomatas, portadores de permissão de trabalho, estudantes internacionais, turistas médicos e familiares de cidadãos tailandeses, o governo decidiu proibir tudo novamente após um soldado egípcio furar a quarentena para ir para um shopping e ter testado positivo para covid19 logo depois. O país estava há 50 dias sem novos casos.

#Vietna

1 – Problemas no mar: Ainda sem motivo declarado, o Vietnã cancelou seu contrato com uma plataforma de petróleo originalmente destinada a começar a explorar um campo de petróleo. A China pressiona para que essa região conte apenas com exploradores chinesas, a Repsol já estava de olho nessa exploração. Além disso, a China alega que a região em questão é sua por “direitos históricos”.

A Malásia sofreu pressão semelhante da China este ano. Um navio de escolta chinês passou um mês operando nas proximidades de um navio de perfuração contratado pela Malásia dentro da Zona Econômica Exclusiva da Malásia, até o navio ir embora.

Na segunda-feira, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, emitiu uma declaração dura, declarando como reivindicações territoriais chinesas ilegais e que “O mundo não permitirá que Pequim trate o Mar da China Meridional como seu império marítimo. Os Estados Unidos estão com nossos aliados e parceiros do sudeste asiático na proteção de seus direitos soberanos aos recursos offshore, consistentes com seus direitos e obrigações sob o direito internacional”.

 

2 – Em maio um relatório do Banco Mundial concluiu que o Vietnã precisará investir em capital humano caso pretenda ser um país com alta tecnologia. Segundo ele, metade das empresas do país já sofre com falta de mão de obra especializada. Ainda hoje, nove milhões de pessoas ainda vivem em extrema pobreza, dos quais 6,6 milhões (73%) são pertencentes a minorias étnicas, mesmo representando apenas 15% da população total do país.

Cerca de três quartos dos mais pobres do país vivem em áreas remotas e rurais com sua localização geográfica agindo como uma barreira adicional ao acesso a serviços de educação e saúde de qualidade. Conforme o país emerge economicamente lentamente, cresce também sua necessidade de quebrar as barreiras culturais para explorar o potencial humano dessas minorias.

 

 

 

DICA DA SEMANA:

Podcast sobre a história de Mianmar com o autor do livro “The Hidden History of Burma: Race, Capitalism, and the Crisis of Democracy in the 21st Century (Hardback)”. Como o livro é importado e o dólar está impraticável, vale a pena ficar só com o podcast que ele já esclarece muita coisa.