Situação Econômica de Mianmar

 

Metade da população de Mianmar corre o risco de cair na pobreza até 2022

 

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), os impactos duplos da pandemia mais e crise política pós-golpe podem resultar em quase metade da população, ou seja, cerca de 25 milhões de pessoas, caindo na pobreza até 2022.

“Os ganhos de desenvolvimento obtidos durante uma década de transição democrática, por mais imperfeitos que tenham sido, estão sendo apagados em questão de meses”, alega o relatório. Acrescentando que o progresso do país pode ser retrocedido até 2005, quando também estava sob regime militar e metade da população era pobre.

O estudo mostrou que até o final do ano passado, em média, 83% das famílias relataram que suas rendas haviam caído quase pela metade devido à pandemia. Estima-se que o número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza aumentou 11% devido aos efeitos socioeconômicos da covid19. O relatório afirma também que a deterioração da situação de segurança bem como ameaças aos direitos humanos e ao desenvolvimento pode elevar a taxa de pobreza em mais 12% em 2022.

A pobreza urbana deve triplicar, enquanto a situação de segurança está fragmentando as cadeias de abastecimento e dificultando o movimento de pessoas, serviços e commodities, incluindo produtos agrícolas.

A pressão sobre a moeda de Mianmar, o Kyat, também aumentou o preço das importações e da energia, disse o relatório, enquanto o sistema bancário permanece paralisado. Conforme afirmou o secretário-geral da ONU, a escala da crise exige uma resposta internacional urgente e unificada, o volume do comércio marítimo caiu entre 55% e 64%.

Além disso, os confrontos entre as forças de segurança de Mianmar e grupos armados regionais resultaram em novos deslocamentos em várias partes do país, além de obrigar muitos a buscar refúgio fora de suas fronteiras, já são cerca de 800 manifestantes mortos.

“No espaço de 12 anos, de 2005 a 2017, Mianmar conseguiu reduzir quase pela metade o número de pessoas que vivem na pobreza. No entanto, os desafios dos últimos 12 meses, colocar todos esses ganhos de desenvolvimento duramente conquistado em risco“, disse Achim Steiner, Administrador do PNUD.

Conglomerado Empresarial-Militar

Em setembro de 2020, a Anistia Internacional publicou uma investigação sobre o conglomerado militar Myanmar Economic Holdings Limited (MEHL) com base em um relatório de acionistas fornecido pelo grupo local da sociedade civil Justice for Myanmar. A investigação mostrou que os militares receberam até US $ 18 bilhões desse grande conglomerado empresarial entre 1990 e 2011. Em 2019, uma missão de apuração de fatos da ONU constatou que cerca de 100 empresas do país estavam vinculadas ao grupo e a outro conglomerado que também possui praticamente apenas militar na alta administração, a Corporação Econômica de Mianmar (MEC).

O relatório observa que o General Min Aung Hlaing, líder da junta, foi um dos beneficiários diretos dos negócios do grupo e que recebeu cerca de US $ 250.000 em pagamentos apenas entre 2010 e 2011. Outros comandantes e generais teriam recebido pagamentos de cerca de US $ 208 milhões durante o mesmo período.

Um relatório recente de um grupo chamado de Economistas Independentes para Mianmar (IEM) diz que sanções voltadas para essas empresas específicas podem forçar a junta militar a rever suas ações, e quem sabe gastar menos com armamentos e mais com necessidades públicas, analistas acreditam que o cenário permanecerá o mesmo, sanções não costumam ter efeito, principalmente se os principais parceiros de Mianmar não adotarem um processo similar.

China e Rússia, além de grandes parceiras comerciais, são as principais fornecedoras de armamento militar para o país, e claro, contrárias as sanções. Enquanto os militares se sentirem ameaçados por forças externas e grupos armados internos dificilmente vão abrir mão de gastos com armamento e equipamento que possam manter o regime forte. E as recentes alianças anunciadas entre esses grupos só farão com que o exército se arme ainda mais.

 

obs: entre o podcast e essa postagem surgiu também essa matéria interessante do Valor Econômico sobre o país respaldando o que foi retratado no texto:

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/05/07/golpe-em-mianmar-obriga-13-pontos-percentuais-das-empresas-a-suspender-negcios-diz-pesquisa.ghtml

 

Referências

https://www.channelnewsasia.com/news/asia/myanmar-half-population-poverty-2022-united-nations-development-14718852

https://www.aljazeera.com/news/2020/9/10/myanmar-military-gets-billions-from-profitable-business-amnesty

Report says Myanmar junta vulnerable to sanctions on foreign cash flow

https://news.un.org/en/story/2021/04/1091002

 

 

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